Luiz Felipe Scolari não é mais o técnico do Palmeiras. Em reunião realizada na tarde desta quinta-feira no clube, após a derrota por 3 a 1 para o Vasco, em São Januário, foi decretado o fim do ciclo do treinador à frente da equipe do Palestra Itália.
Com o bicampeonato paranaense e dois vices da Copa do Brasil na bagagem, Marcelo Oliveira, de 57 anos, foi apresentado oficialmente como o novo treinador do Vasco no início da noite desta quinta-feira,
O Bahia deu uma amostra na noite deste domingo da ótima campanha que faz no segundo turno do Campeonato Brasileiro. Jogando em São Januário, aplicou uma goleada por 4 a 0 no Vasco, que curiosamente acaba de bater o recorde de rodadas consecutivas dentro do G-4, com 48. Souza e Jones Carioca (dois cada) fizeram os gols.
Os baianos acumulam dez pontos de 12 possíveis no segundo turno, o melhor aproveitamento entre as 20 equipes. Soma 27 pontos no total e começa a se distanciar da zona de rebaixamento: está em 14º lugar. O técnico Jorginho elogiou seus jogadores - "praticamente perfeitos, corajosos e audaciosos" - mas procurou não se empolgar com o resultado:
- Está longe do que quero ainda, o futebol tem de ser com gols, como foi hoje, e jogadas bonitas. Tem de ser bem jogado, nós gostamos de ver isso. Exijo isso, mas muitas vezes não temos tempo para trabalhar. O desgaste é grande. O que temos de ter é equilíbrio sempre, perseverança.
O Vasco, que teve muitos desfalques, se mantém em quarto lugar, com 39 pontos. O time foi muito vaiado e chegou a ouvir gritos de olé ao longo do segundo tempo. Ainda no fim da etapa inicial, quando o placar apontava 1 a 0, o técnico Cristóvão Borges já era chamado de burro.
Essa foi a maior goleada sofrida pelos vascaínos em São Januário desde 2000, quando perderam para o São Paulo pelo mesmo placar na campanha do título. A última vez em que sofreram quatro gols no estádio havia sido em 2008, ano do rebaixamento: 4 a 2 para o Figueirense.
Juninho Pernambucano reconheceu que o time viveu seu pior momento no ano e se mostrou preocupado em perder a vaga no G-4:
- Dos altos e baixos que passamos na temporada, este é o pior momento. Não é nada normal perder de 4 a 0 em casa, mas não devemos mudar tudo o que tínhamos feito até agora. Apenas uma mudança de planos: não pensar tanto na conquista do título, que ficou difícil, e olhar mais para trás da tabela, porque a temporada pode ser muito pior. Estamos deixando de subir, e os times que estão atrás estão encostando.
Na próxima rodada, o Vasco joga novamente em São Januário, quarta-feira, contra o Palmeiras. O Bahia, por sua vez, visita no mesmo dia o Sport, na Ilha do Retiro.
Jogo começa lento, mas melhora no fim da etapa inicial
O técnico Cristóvão Borges teve nove desfalques. Por isso, precisou lançar mão de jovens da base e de improvisações para escalar a equipe. Sem Auremir na lateral direita (machucado), Jonas assumiu o posto. No miolo de zaga, Luan (de 19 anos) ocupou o lugar de Dedé, que está com a Seleção. Na lateral esquerda, sem William Matheus (suspenso) e Thiago Feltri (machucado), Cristóvão improvisou o zagueiro Fabrício, que já atuou na posição quando atuou por Hoffenheim-ALE e Palmeiras. Dieyson ficou como opção no banco.
O setor de meio de campo não pôde contar com Wendel (suspenso), Felipe e Carlos Alberto (machucados). O time foi a campo com os volantes Fellipe Bastos e Nilton. Juninho e o jovem Jhon Cley foram os responsáveis pela criação. No ataque, Eder Luis e Alecsandro.
No lado do Bahia, o técnico Jorginho surpreendeu. Esperava-se que ele optasse por Mancini ou Lulinha no time titular. Ambos ficaram no banco. Quem entrou para ser companheiro de Souza no ataque foi Jones Carioca.
O jogo começou em ritmo lento, com as equipes se estudando e não querendo correr riscos. O Bahia procurou valorizar a posse de bola, mas não conseguiu lances contundentes no início. A primeira boa chegada foi do Vasco, mas Alecsandro bateu sem perigo. A partida se arrastou por quase dois terços da primeira etapa sem emoções. Aos 29 minutos, o Bahia teve sua primeira chance clara, com Jones Carioca, que não conseguiu uma boa conclusão diante de Fernando Prass. O Vasco respondeu na sequência, com uma cabeçada de Alecsandro para fora.
O lance pareceu ter mexido com o time cruz-maltino, que se animou e ensaiou um princípio de pressão, principalmente com avanços de Eder Luis pelo lado direito. O Bahia, porém, não perdeu o autocontrole e se mostrou mortal para abrir o placar no contra-ataque.
Juninho bateu escanteio e Souza afastou de cabeça na área do Bahia. Jones Carioca recolheu e passou para Diones, perto do meio do campo. Carioca disparou para receber a bola novamente já no campo de ataque. Ele foi até a linha de fundo e cruzou na medida para Souza, que já cruzara todo o campo, testar para a rede: 1 a 0 aos 40 minutos.
O primeiro tempo acabou com o Vasco em desvantagem e a torcida na bronca. Cristóvão Borges foi para o vestiário ouvindo os já tradicionais gritos de "burro" vindos da arquibancada. Na volta para a etapa final, o treinador mexeu no time, trocando o meia Jhon Cley, muito apagado, pelo atacante Tenorio.
Cristóvão troca meia por atacante, mas Bahia é que faz os gols
A bola rolou no segundo tempo e, com menos de um minuto, um bom lance para cada lado. Souza teve uma chance após cruzamento vindo do lado direito, mas testou nas mãos de Prass. O goleiro repôs a bola rapidamente e Tenorio recolheu na linha divisória do gramado. Arrancou e foi deixando marcadores para trás até entrar na área, mas foi travado na hora de tentar a conclusão. A torcida se animou com o ímpeto de seu jogador.
O Bahia, porém, tratou de arrefecer os cruz-maltinos. Zé Roberto tabelou com Hélder na ponta esquerda, foi ao fundo e cruzou rasteiro para a área, tentando encontrar Jones Carioca. O atacante do Bahia não alcançou a bola num primeiro momento, mas contou com uma bobeada da zaga, que não conseguiu o corte. A bola então se ofereceu limpa a Jones Carioca, que emendou firme e não perdoou: 2 a 0, aos quatro minutos.
O Vasco, mais na base da vontade do que da técnica, tentou se lançar à frente para diminuir a desvantagem, mas não conseguiu incomodar o Bahia. Pior: o time visitante mostrou-se muito perigoso nos contra-ataques. Não demorou para ampliar. Aos 12, Souza recebeu perto do meio-campo e deu lançamento primoroso para Jones Carioca. O camisa 19 entrou na área, driblou Fernando Prass e empurrou para o gol vazio.
Com três gols de desvantagem, o técnico Cristóvão Borges tratou de recompor o meio de campo, e o atacante Eder Luis deu lugar ao volante Eduardo Costa. Jorginho respondeu no lado do Bahia, dando novo gás à saída do time para o ataque. Zé Roberto saiu para a entrada de Mancini.
O Vasco bem que tentou diminuir o tamanho do prejuízo. Aos 21, Juninho deu belo passe para Tenorio dentro da área, mas o equatoriano chutou por cima e perdeu boa chance de gol. O Bahia manteve seu ritmo habitual e, sem dificuldade, fez o quarto gol aos 24 minutos. Hélder avançou livre pelo lado esquerdo e cruzou na medida para Souza, que teve tempo de dominar a bola dentro da área antes de bater na saída de Fernando Prass. Comemorou mostrando o nome na sua camisa, de costas, e ouviu aplausos - da torcida do Vasco.
O time da casa passou a ser muito vaiado, e o visitante ouvia gritos de olé enquanto trocava passes. A situação vascaína ficou pior aos 27, quando o lateral Jonas foi expulso por acertar a mão no rosto de Jussandro.
Jorginho tratou de queimas suas duas últimas alterações. Jones Carioca saiu para a entrada de Elias. Pouco depois, o pentacampeão Kleberson entrou na vaga de Fahel. O jogo, já definido, se arrastou sem grandes emoções até o final. O Vasco, batido, não teve forças para atacar o Bahia, satisfeito com o resultado. No fim, mais vaias da torcida vascaína.
De um lado, um time que buscava emplacar a terceira vitória seguida no Brasileirão, o que aconteceu pela última vez em 2001. De outro, uma equipe que não vencia há três jogos. E ninguém conseguiu quebrar a barreira. Bahia e Atlético-MG ficaram no 0 a 0 na noite desta quarta-feira, no estádio Pituaçu, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Com cinco desfalques, Cuca já havia dito que esta seria a partida para o Galo confirmar a força do elenco. Não foi o caso, definitivamente. Guilherme, que entrou na vaga de Ronaldinho Gaúcho, mais uma vez ficou devendo. A linha que formou com Escudero, no lugar de Danilinho, não funcionou. O Bahia, por sua vez, teve marcação forte no primeiro tempo, criou mais e levou mais perigo, mas não conseguiu marcar.
Com o resultado, o Tricolor chegou aos 24 pontos, enquanto o Atlético-MG foi para 45 e pode perder a liderança do Brasileirão nesta quinta-feira, caso o Fluminense vença o Santos no Engenhão.
O Bahia volta a campo no próximo domingo, às 18h30m (de Brasília), quando pega o Vasco, em São Januário. O Atlético-MG, no mesmo dia e horário, recebe o Palmeiras no Independência.
Apoio da torcida, mas nada de gols
Os gritos da torcida do Bahia, que apesar do atraso lotou o estádio do Pituaçu, não acuaram os jogadores do Atlético-MG, que partiram para cima no início do jogo. Por causa dos cinco desfalques do time, foi possível ver alguns jogadores atuando de forma diferente da habitual. Bernard caía mais pela direita, com Guilherme no meio, distribuindo as jogadas.
Mas o Bahia encaixou a marcação e começou a chegar ao campo atleticano, principalmente pelo lado de Richarlyson. O jogador, ocupando o lugar de Junior Cesar, suspenso, sentia falta de ritmo de jogo. Com espaços, foi o Tricolor baiano que teve a primeira boa chance. Zé Roberto e Souza tabelaram bonito, mas este se desequilibrou na hora de dominar e chutou sem força. Já o Galo apostava no contra-ataque, mas pecava na hora da arrancada final, dando tempo para a defesa adversária se acertar. Assim, Marcelo Lomba pouco trabalhou.
Do outro lado, Victor passava por alguns sustos. Num deles, Lulinha fez ótima jogada pela esquerda e chegou em cima do camisa 83 do Galo, que parou o jogador no abafa. Mas na última jogada da etapa inicial foi o Galo que quase marcou. Richarlyson cruzou para Leonardo, que se antecipou à defesa, mas mandou para fora, com perigo.
Placar em branco
As duas equipes começaram a etapa final sem alterações, o que surpreendeu, principalmente pelo lado do Atlético-MG, que não foi bem no primeiro tempo. Com a mesma postura, não deu outra: Victor continuou a ter trabalho. Logo aos três minutos, após lance bisonho de Richarlyson, que recuou errado, Souza passou pelo goleiro, mas perdeu ângulo e rolou para Hélder, que vinha de trás e pegou mal na bola.
Vendo que o Galo não conseguia criar, Cuca fez duas mexidas de uma vez. Saiu Leandro Donizete para a entrada de Neto Berola, conhecido da torcida baiana, da época que atuou pelo Vitória. Leonardo, que pouco fez, deu lugar a Serginho. Mas a linha formada por Guilherme e Escudero continuava em campo, sem inspiração. Se a intenção de Cuca com Berola na frente era dar mais velocidade ao ataque atleticano, ficou apenas na vontade. O atacante não recebia as bolas.
O Bahia estava com marcação mais frouxa, mas o Galo não soube aproveitar. O Tricolor começou a apostar no contra-ataque, e aos 28 Hélder fez boa jogada para Souza, que chutou em cima de Victor. A torcida bem que tentou empurrar o Bahia. Os mineiros, irreconhecíveis, não conseguiam se encontrar em campo. O 0 a 0 foi justo pelo que as equipes mostraram.
O meia Zé Roberto, atualmente no Internacional, pode ser um dos primeiros reforços do Bahia para a temporada 2012. De acordo com o presidente do clube, Marcelo Guimarães Filho, existe o interesse no atleta, no entanto, o alto valor atrapalha a negociação. » Confira o vai e vem do Mercado da Bola para 2012 Zé Roberto tem contrato com o Internacional até janeiro de 2013. Portanto, o Bahia precisa negociar diretamente com o clube gaúcho. O jogador foi um dos que ajudaram o time a conquistar o Campeonato Gaúcho deste ano, mas, logo depois, perdeu vaga no Brasileiro.
Em 31 jogos com a camisa do Inter, Zé Roberto fez seis gols. Um dos grandes momentos da sua carreira foi em 2009, quando conquistou os Campeonatos Carioca e Brasileiro, ambos pelo Flamengo.